Resenha: Herdeiro da Névoa - Raquel Pagno

Herdeiro Da Névoa
Inácio Vaz resolveu deixar tudo em busca de um futuro melhor. Juntando tudo o que tinha, partiu com a bênção dos pais para Paris, onde pretende se formar como advogado na renomada universidade Sorbonne.



Apesar do pouco dinheiro e do precário conhecimento da língua francesa, o futuro de Inácio parece promissor... Até Chloé Champoudry surgir em seu caminho.

Misteriosa e completamente sedutora, Chloé desestrutura completamente a vida e o coração de Inácio: cada ação, cada pensamento irremediavelmente leva a Chloé, como se ela fizesse parte da vida dele desde sempre, e ele fizesse parte da dela igualmente.

O problema é que Chloé está morta. Pelo menos, é o que todos dizem. Embora Inácio cisme em pensar que conheceu Chloé em Sorbonne, seu nome não consta na universidade, apenas na lista de assassinatos não solucionados. É como se a mulher fosse feita de névoa: visível, palpável, mas tão evanescente quanto fumaça.

Então o mundo parece dar a Inácio uma chance irrecusável: de repente, é confundido com um riquíssimo rapaz desaparecido, herdeiro de uma fortuna incalculável e de um casarão em Paris.

Inácio se acha sortudo. Tem a mulher dos sonhos; um bom amigo; uma fortuna; até um gato; além de uma ficha na polícia que herdou junto com todo o resto.

François Roux, o rapaz cuja vida Inácio agora está vivendo, é, acima de tudo, o principal suspeito do assassinato de Chloé Champoudry.

Agora que tudo está cada vez mais estranho e macabro, Inácio Vaz tem que decidir o que é realidade e o que é ilusão: Será que a misteriosa Chloé esconde alguma verdade terrível? Será que seu melhor amigo é mesmo um amigo? A propósito, será que Inácio Vaz é mesmo Inácio Vaz?

 Misterioso e excitante.

Raquel Pagno usa e abusa da forma clássica de literatura: a linguagem sutil e o uso de termos mais antigos.

Apaixonei-me pelos personagens a cada página: a história passa de um romance “melzinho” para um suspense tão envolvente que mesmo melhorando a cada página ainda te deixa de queixo caído. É o tipo de livro que te faz ficar com os dedos gelados e suando frio enquanto gira as páginas vorazmente.

É uma das melhores obras que li ultimamente, e não só pelo tema, mas também pela forma como é bem bolado e bem escrito.

Não sei bem como explicar, mas este livro em especial lembra a forma como O Morro Dos Ventos Uivantes foi escrito: tem aquela linguagem rococó e formal que quase não se vê na atualidade. Com pouco humor, gentilezas forçadas, sarcasmo, frieza às vezes, é o tipo de obra que parece ter sido escrita muitos anos atrás, quando os romances eram romances de verdade (não que os romances de hoje em dia sejam ruins, mas não chegam a ser tão fascinantes quando os de antes).

De qualquer forma, me apaixonei por Herdeiro da Névoa por trazer de volta o que todos amamos da literatura: o conteúdo.

É um livro pra quem quer saber o que é um livro!

12 comentários:

  1. Carol, fiquei imensamente feliz por você ter gostado tanto do livro.
    Suas palavras me fizeram pensar em quão recompensador é escrever.
    Confesso que estive pensando em desistir, mas quando leio coisas, como as que você escreveu, sinto que minhas forças para continuar se renovam e vejo que alcancei meu objetivo como escritora.

    Muitíssimo obrigada! :D

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    1. De nada! Não desista nunca: o talento para a escrita é um dom conferido a poucos. Se você o tem, lute para mostra-lo. Acredito que livros são parte da alma dos autores, e a sua é brilhante.
      Obrigada a você, pelo livro que nos enviou, e pelo apoio. <3

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  2. Gostei da capa do livro!

    E quando li a resenha, gostei dela mais ainda.
    Muito bem escolhida!

    A história me lembra os primeiros livros que eu li, suspense, suspense, suspense...

    Gostei!

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    1. Que bom que gostou :) Eu também era viciada em suspenses quando comecei a ler. Passei a ler aventuras logo em seguida, mas os suspenses ainda ocupam um imenso lugar no meu coração!
      Bjss

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  3. Raquel Pagno, faço minhas as palavras da Carol qdo diz que você "abusa da forma clássica de literatura: a linguagem sutil e o uso de termos mais antigos". Herdeiro da Névoa me conquistou num primeiro olhar pela capa, com a Torre Eiffel (sou apaixonada por ela); numa segunda piscadela, me fisgou com a contra-capa, com uma sinopse realmente muito envolvente, cheia de insinuações e mistérios; e aí, já estava totalmente envolvida pela trama, pela sedução, pelo suspense, que fazia meus olhos quererem logo percorrer a outra página, e a outra, e a outra, e a outra... pela Paris de 1950. Parabéns Raquel!! Bjs

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    1. Obrigada Carla! Um elogio vindo de uma escritora que também me conquistou de primeira, vale muuuuuuuito!

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  4. Acabei de resenhá-lo lá no blog, achei o livro muito bom e tudo tão inacreditável.

    www.iasmincruz.com

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    1. Li sua resenha e gostei muito... Parabéns pelo blog, estou acompanhando!

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  5. Nossa Carol! Que resenha perfeita! Vc soube explorar os pontos positivos muito bem! Sério, parabéns!

    Tbm sou fã dos romances antigos, não que eu não goste dos novos, mas acho que os antigos tem um 'q' a mais sabe? Adorei mesmo sua resa e fiquei super curiosa quanto ao livro! Mais uma vez, parabéns!

    bjo bjo^^

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  6. Carol, vim para aqui porque vi a Raquel comentando no facebook, a resenha ficou ótima e com certeza nos incentiva a conhecer o livro, eu adoro romances de época - e sou da mesma opinião, não acho que "não existe mais romance", mas falar de romance de época, foi e sempre será diferente! São meu tipo preferido de literatura!

    bjos
    http://miscelaneadasofia.com.br/

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